sim, one more please!


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Segunda-feira, Junho 22, 2009
em toda turma sempre existe um palhaço, um gozador, bonachão, um fanfarrão como diria nascimento. pedro paulo (sua mãe era católica devota) era o sarrista da rua. sempre fazendo piada, inventando apelido, tirando sarro das gafes e falhas alheias. eu me lembro que era um anode copa, era 2002 se não me falha a memória, e pedro paulo faria uma reunião em sua casa em virtude do jogo do brasil. era brasil e suécia, não me lembro direito. pedro paulo, ou simplesmente pepê como nós o chamávamos, disse para levarmos bebida, que ele bancaria a carne pro churrasco, e assim foi feito. o problema é que no final das contas tinha mais coca-cola e vodca que carne, então a galera só bebeu. e muito. pepê bebeu tanto que uma hora ele disse que ia no banheiro e desapareceu. após meia hora de sua ausência começamos a nos perguntar onde foi parar aquele mala gozador. mariana disse que viu pepê indo ao banheiro. resolvi investigar e fui até o banheiro e encontrei a porta aberta. pepê estava sentado no vaso sanitário, com as calças arriadas na altura do tornozelo e, olha só, dormindo de roncar e babar. segurei o riso e fui avisar a galera da cena bizonha que tinha assistido. a galera inteira resolveu conferir. com tanta risadinha pepê acabou acordando e ao ver o povo se deliciando com sua situação ficou branco como vela. pepê nunca mais foi o gozador de sempre, ficou retraído e quase não conversava com ninguém. esse comportamento durou alguns meses até que pepê voltou a ser o que era, mas era só ele começar a encher demais o saco dos outros que alguém se lembrava da cena do pensador cagão e ele já murchava. quem com ferro fere, uma hora ou outra com ferro será ferido...

(valeu pela idéia, joelson...)


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Segunda-feira, Junho 15, 2009
é difícil ter 70 anos nesse país. seu astolfo era uma figura conhecida na minha rua, vivera ali praticamente toda a vida. conhecia todos os moradores e seus respectivos filhos, netos... enfim, era uma figura muito querida. casado com dona maria, era uma espécie de símbolo dos tempos antigos, tempos em que o casamento era para a vida toda, tempos em que era possível caminhar na rua sem a preocupação do assalto, da bala perdida, da bandidagem. mas os tempos mudaram... seu astolfo gostava de ir no bar da esquina da quadra onde morava e tomar uma cervejinha. fazia isso geralmente aos sábados, quando dona maria ia na missa. não que seu astolfo não fosse devoto, pelo contrário, era um católico fervoroso, é que ele dizia para maria que não tinha mais idade para pecar e que aproveitava melhor o tempo tomando uma cerveja e jogando conversa fora com os amigos do que importunando deus. seu astolfo era mesmo uma figura. seu astolfo tinha ido no bar na hora de sempre, tinha tomado a mesma cerveja de sempre, jogado a mesma conversa fora de sempre, com os mesmos amigos de sempre. no retorno à sua casa, porém, as coisas não aconteceram como sempre. seu astolfo fora abordado por dois jovens de motocicleta que exigiram sua carteira. seu astolfo ia tirar a carteira do bolso, mas como era idoso, seus movimentos já não eram mais tão ágeis. um dos jovens, impaciente com a demora do assaltado, deu um tiro no peito de seu astolfo, que ainda conseguiu se arrastar até a entrada de sua casa, vindo a falecer na entrada da mesma. dona maria, que retornava da missa, não acreditava no que via. ninguém na rua acreditou no que aconteceu. a polícia até hoje não conseguiu descobrir os meliantes que tiraram a vida de seu astolfo.