sim, one more please! |
Comments: Quarta-feira, Julho 30, 2008
era uma parede lisa, fria, parecia gelo, mas na verdade era vidro, um vidro espesso e marrom. tateando a parede percebi que ela tinha forma circular, cilíndrica. acima da minha cabeça uma pequena abertura redonda por onde entrava a luz. tentei escalar, mas era lisa demais para oferecer algum apoio a meus pés. percebi que era uma garrafa, uma garrafa marrom de cerveja. eu havia, literalmente, entrado na garrafa. ou melhor, caído dentro da garrafa. como vim parar aqui?, eu me perguntava. como posso sair daqui? eu quero sair daqui? as perguntas martelavam em minha cabeça, parecia que havia finalmente alcançado meu objetivo depois de tantos e tantos anos de bebedeira. mas eu precisava sair dali, precisava ganhar minha liberdade. pensei em jogar meu corpo contra a garrafa para tentar derrubá-la e assim poder sair pelo gargalo. logrei resultados em minha tentativa e derrubei a garrafa. ela foi rolando, rolando e eu me sentindo dentro de um liquidificador. agora eu sei como se sente uma banana antes de virar vitamina com leite. a garrafa bateu na parede e o choque me deu uma baita dor de cabeça. senti que alguém estava pegando a garrafa em que me encontrava. fui colocado em um engradado com mais 23 garrafas iguais à que eu me encontrava. após uma longa viagem fui colocado em uma esteira, onde fui lavado e esterilizado. de repente recebi em cima de mim uma enorme quantidade de um líquido amarelo espumante, fiquei boiando na cerveja. a garrafa passou por uma máquina e recebeu seu lacre, a famosa tampa. nadei até o topo da garrafa e tive uma boa visão. estava preso em uma garrafa de kaiser e na tampinha havia uma foto de uma morena muito bonita que fazia caras e bocas sensuais e segurava uma garrafa de cerveja. adormeci boiando na cerveja e olhando para a foto da menina na tampinha. quando será que serei aberto? quando conseguirei sair dessa garrafa? eu quero mesmo sair dessa garrafa? dúvidas, dúvidas... Comments: Segunda-feira, Julho 28, 2008
de longe já percebo as diferenças. no lugar dos bons e velhos habituées do local encontro várias moças, muito bonitas, com idades entre 18 e 23 anos, aparentemente. algumas sozinhas, outras em grupo, mas todas com aspecto feliz e despojado, com olhares e gestos convidativos. da caixa de som saía "i wanna be your dog" dos stooges (so messed up i want you here...), em vez da já manjada música romântica-descornada-sertaneja. um leve esboço de sorriso se manifesta em minha boca. a explosão de alegria só ocorreu quando avistei um cartaz na parede onde estava escrito "antarctica original só R$ 1,99". chamei o garçom que me veio todo solícito e mandei descer uma original beeeem gelada. levantei-me e fui até o banheiro. quando cheguei percebi um banheiro limpo do chão ao teto, totalmente azulejado, e com um agradável perfume de eucalipto. perfeito. comecei a fazer xixi e senti um calor entre minhas pernas que aos poucos foi se transformando em um líquido gelado. abri os olhos e percebi que estava em minha cama, e totalmente mijado, depois de mais de 30 anos sem fazer isso. dei uma risada e fui tomar um banho. é isso aí, quando as coisas estão boas demais é sinal de que não passa de um sonho, um breve e fugaz mas maravilhoso sonho. e às vezes o sonho é tão bom que a gente se emociona a ponto de mijar nas calças. mas, será que eu ainda vou conseguir frequentar um bar que toque "i wanna be your dog"? nem precisava ser na versão stooges, se fosse na versão dos circle jerks já estaria bom demais... |