sim, one more please!


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Sexta-feira, Janeiro 22, 2010
dentre todas as pessoas no mundo, umas 6 bilhões de almas mais ou menos, ele tinha que justamente encontrar ela, que no passado inglório fez seu coração derreter em uma poça de raiva e indignação. ela que uns anos atrás o abandonara sem desculpas ou discursos de adeus, foi simplesmente um 'tchau, até um dia quem sabe...' sem remorso nem piedade. continuava linda, apesar de mais madura. ainda tinha o ar pomposo e o nariz empinado dos pobres soberbos. e ainda tinha aquele par de pernas que me encantou desde a primeira vez que tive a infelicidade de botar o olho. ali, no meio de todas aquelas mesas cheias de gente rindo e bebendo e fumando e contando piadas e contradições hilárias sobre a vida, ela permanecia como uma vênus de milo, impassiva e perene, observando e analisando. não tive coragem de ficar ali, decidi que o passado não iria me pregar mais uma peça, decidi ir para casa. comprei algumas latinhas de cerveja no caminho e fiquei a pensar nela. o passado é cruel, e o presente é um carrasco...


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Quinta-feira, Janeiro 21, 2010

"É preciso estar sempre embriagado. Para não sentirem o fardo incrível do tempo, que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso. Com quê? Com vinho, poesia, ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se."
- Charles Baudelaire



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Segunda-feira, Janeiro 18, 2010
e ela esperava, sentada na escada e com o telefone na mão, a ligação de seu amor, que havia prometido ligar às 19h30, em ponto, para desejar-lhe 'boa noite, minha querida', como fazia todas as noites. e já eram 8h00 da noite e nada de ligação. ela pensava no que ele estaria fazendo, e por que ele a havia esquecido. seria outra companhia, mais atraente e interessante? seria outro assunto que lhe ocupasse que não fosse ela? o que estaria acontecendo? às 8h20 ele ligou, com a voz alterada pela cerveja que havia tomado com os amigos depois do joguinho de futebol. ela ficou magoada, ele trocou seu interesse por ela pelos amigos bebados e pretensiosos jogadores de futebol 7. ele não podia ter feito isso, não podia colocar outros interesses na frente dela, isso não era certo. ela nunca faria o mesmo. ela estava profunda e terrivelmente magoada. ele não entendeu nada, afinal havia dito a ela que naquela quarta-feira, depois de muito tempo sem praticar exercícios, iria se encontrar com a antiga turma de faculdade para bater uma bolinha, sem compromisso, e talvez tomasse umas cervejinhas depois. ele pediu desculpas e disse que havia perdido a hora. ela ficou uma semana inteira magoada com ele. onde ja se viu: a cerveja e os amigos vindo antes dela... isso não se faz...


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Sábado, Janeiro 09, 2010
enquanto isso o ano novo segue em frente...


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Terça-feira, Novembro 03, 2009
essa vida é um mistério, enquanto alguns (não eu) tentam parar de beber, outros (como eu) comemoram a chegada da era das garrafas de cerveja de um litro... a única curiosidade do processo é o retorno da velha logística de levar os cascos vazios para trocá-los pelos cheios, e o único problema é que ainda não inventaram a camisinha para garrafas de um litro, pois tomar uma delas sozinho resultará no aquecimento da cerveja. mas esses serão problemas menores se comparados ao grau de satisfação que somente um litro pode proporcionar.


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Segunda-feira, Junho 22, 2009
em toda turma sempre existe um palhaço, um gozador, bonachão, um fanfarrão como diria nascimento. pedro paulo (sua mãe era católica devota) era o sarrista da rua. sempre fazendo piada, inventando apelido, tirando sarro das gafes e falhas alheias. eu me lembro que era um anode copa, era 2002 se não me falha a memória, e pedro paulo faria uma reunião em sua casa em virtude do jogo do brasil. era brasil e suécia, não me lembro direito. pedro paulo, ou simplesmente pepê como nós o chamávamos, disse para levarmos bebida, que ele bancaria a carne pro churrasco, e assim foi feito. o problema é que no final das contas tinha mais coca-cola e vodca que carne, então a galera só bebeu. e muito. pepê bebeu tanto que uma hora ele disse que ia no banheiro e desapareceu. após meia hora de sua ausência começamos a nos perguntar onde foi parar aquele mala gozador. mariana disse que viu pepê indo ao banheiro. resolvi investigar e fui até o banheiro e encontrei a porta aberta. pepê estava sentado no vaso sanitário, com as calças arriadas na altura do tornozelo e, olha só, dormindo de roncar e babar. segurei o riso e fui avisar a galera da cena bizonha que tinha assistido. a galera inteira resolveu conferir. com tanta risadinha pepê acabou acordando e ao ver o povo se deliciando com sua situação ficou branco como vela. pepê nunca mais foi o gozador de sempre, ficou retraído e quase não conversava com ninguém. esse comportamento durou alguns meses até que pepê voltou a ser o que era, mas era só ele começar a encher demais o saco dos outros que alguém se lembrava da cena do pensador cagão e ele já murchava. quem com ferro fere, uma hora ou outra com ferro será ferido...

(valeu pela idéia, joelson...)


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Segunda-feira, Junho 15, 2009
é difícil ter 70 anos nesse país. seu astolfo era uma figura conhecida na minha rua, vivera ali praticamente toda a vida. conhecia todos os moradores e seus respectivos filhos, netos... enfim, era uma figura muito querida. casado com dona maria, era uma espécie de símbolo dos tempos antigos, tempos em que o casamento era para a vida toda, tempos em que era possível caminhar na rua sem a preocupação do assalto, da bala perdida, da bandidagem. mas os tempos mudaram... seu astolfo gostava de ir no bar da esquina da quadra onde morava e tomar uma cervejinha. fazia isso geralmente aos sábados, quando dona maria ia na missa. não que seu astolfo não fosse devoto, pelo contrário, era um católico fervoroso, é que ele dizia para maria que não tinha mais idade para pecar e que aproveitava melhor o tempo tomando uma cerveja e jogando conversa fora com os amigos do que importunando deus. seu astolfo era mesmo uma figura. seu astolfo tinha ido no bar na hora de sempre, tinha tomado a mesma cerveja de sempre, jogado a mesma conversa fora de sempre, com os mesmos amigos de sempre. no retorno à sua casa, porém, as coisas não aconteceram como sempre. seu astolfo fora abordado por dois jovens de motocicleta que exigiram sua carteira. seu astolfo ia tirar a carteira do bolso, mas como era idoso, seus movimentos já não eram mais tão ágeis. um dos jovens, impaciente com a demora do assaltado, deu um tiro no peito de seu astolfo, que ainda conseguiu se arrastar até a entrada de sua casa, vindo a falecer na entrada da mesma. dona maria, que retornava da missa, não acreditava no que via. ninguém na rua acreditou no que aconteceu. a polícia até hoje não conseguiu descobrir os meliantes que tiraram a vida de seu astolfo.


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Terça-feira, Março 24, 2009
estava eu no recesso de meu lar, tomando uma long neck e assistindo televisão, essa velha e eficiente máquina de fazer doidos... percebi que na televisão existe muita gente falando de deus e muita novela. por que tantos falam de deus? e por que tantos e tantos gostam de novelas? dei um gole na minha garrafinha e percebi o óbvio: televisão não é cultura, não é informação, não é entretenimento. televisão é só passatempo. é quase como tricô ou crochê, mas eu não sou muito chegado a trabalhos manuais. decidi ligar o aparelho de dvd e inseri no mesmo um dvd do cannibal corpse. não é novela e, definitivamente, não fala de deus. o problema foi que a emoção era tamanha que a long neck evaporou antes de acabar a primeira suíte dessa banda nada calma. antes do dvd terminar eu já havia consumido as seis garrafinhas que comprei e estava na pilha, demorei uma meia hora para conseguir dormir. mas pelo menos não fiquei refém de folhetins bobos ou de bobos que lêem folhetins tentando me convencer que felicidade é ouvir um bispo...


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Terça-feira, Março 03, 2009
depois de um breve longo recesso eis que a vida continua. depois das festas de fim de ano, das férias, viagens e afins encontro-me novamente no mundo das palavras e, por que não dizer, novamente no mundo real, com seus horários e compromissos. não entendam mal, leitores, gosto de trabalhar. mas se trabalho fosse realmente bacana ele teria outro nome. e é isso, deixa eu abrir mais uma latinha que hoje é o último dia das férias, a gente tem que aproveitar até o final da garrafa...


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Sexta-feira, Novembro 28, 2008
era um sábado como outro qualquer. almocei e tirei uma siesta (como é costume fazer nos sábados). acordei, tomei banho e fui pro bar na esquina da minha casa, para abrir os trabalhos etílicos do dia. cheguei no estabelecimento comercial e pedi uma cerveja, a qual veio estupidamente gelada, do jeito que gosto. bebi metade da garrafa quando avistei ele: um palhaço, literalmente. um 'clown' desses que anima festa infantil. pedalando em direção a alguma dessas festas, o palhaço parecia estar cansado e com pressa. pensei: por que será que ele não deixou para se maquiar e colocar a roupa quando chegasse no local da festa? por que ele correria o risco de chegar com a maquiagem borrada de suor no seu trabalho? (uma vez que estava fazendo uns 35 graus naquela bela tarde de sábado...) deixei o palhaço pra lá e voltei à minha cerveja. 'cada um com seus problemas', pensei, e tive, pela primeira vez em minha vida, a certeza de que meu trabalho não é de todo ruim. a gente reclama muito nessa vida...


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Quarta-feira, Julho 30, 2008
era uma parede lisa, fria, parecia gelo, mas na verdade era vidro, um vidro espesso e marrom. tateando a parede percebi que ela tinha forma circular, cilíndrica. acima da minha cabeça uma pequena abertura redonda por onde entrava a luz. tentei escalar, mas era lisa demais para oferecer algum apoio a meus pés. percebi que era uma garrafa, uma garrafa marrom de cerveja. eu havia, literalmente, entrado na garrafa. ou melhor, caído dentro da garrafa. como vim parar aqui?, eu me perguntava. como posso sair daqui? eu quero sair daqui? as perguntas martelavam em minha cabeça, parecia que havia finalmente alcançado meu objetivo depois de tantos e tantos anos de bebedeira. mas eu precisava sair dali, precisava ganhar minha liberdade. pensei em jogar meu corpo contra a garrafa para tentar derrubá-la e assim poder sair pelo gargalo. logrei resultados em minha tentativa e derrubei a garrafa. ela foi rolando, rolando e eu me sentindo dentro de um liquidificador. agora eu sei como se sente uma banana antes de virar vitamina com leite. a garrafa bateu na parede e o choque me deu uma baita dor de cabeça. senti que alguém estava pegando a garrafa em que me encontrava. fui colocado em um engradado com mais 23 garrafas iguais à que eu me encontrava. após uma longa viagem fui colocado em uma esteira, onde fui lavado e esterilizado. de repente recebi em cima de mim uma enorme quantidade de um líquido amarelo espumante, fiquei boiando na cerveja. a garrafa passou por uma máquina e recebeu seu lacre, a famosa tampa. nadei até o topo da garrafa e tive uma boa visão. estava preso em uma garrafa de kaiser e na tampinha havia uma foto de uma morena muito bonita que fazia caras e bocas sensuais e segurava uma garrafa de cerveja. adormeci boiando na cerveja e olhando para a foto da menina na tampinha. quando será que serei aberto? quando conseguirei sair dessa garrafa? eu quero mesmo sair dessa garrafa? dúvidas, dúvidas...


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Segunda-feira, Julho 28, 2008
de longe já percebo as diferenças. no lugar dos bons e velhos habituées do local encontro várias moças, muito bonitas, com idades entre 18 e 23 anos, aparentemente. algumas sozinhas, outras em grupo, mas todas com aspecto feliz e despojado, com olhares e gestos convidativos. da caixa de som saía "i wanna be your dog" dos stooges (so messed up i want you here...), em vez da já manjada música romântica-descornada-sertaneja. um leve esboço de sorriso se manifesta em minha boca. a explosão de alegria só ocorreu quando avistei um cartaz na parede onde estava escrito "antarctica original só R$ 1,99". chamei o garçom que me veio todo solícito e mandei descer uma original beeeem gelada. levantei-me e fui até o banheiro. quando cheguei percebi um banheiro limpo do chão ao teto, totalmente azulejado, e com um agradável perfume de eucalipto. perfeito. comecei a fazer xixi e senti um calor entre minhas pernas que aos poucos foi se transformando em um líquido gelado. abri os olhos e percebi que estava em minha cama, e totalmente mijado, depois de mais de 30 anos sem fazer isso. dei uma risada e fui tomar um banho. é isso aí, quando as coisas estão boas demais é sinal de que não passa de um sonho, um breve e fugaz mas maravilhoso sonho. e às vezes o sonho é tão bom que a gente se emociona a ponto de mijar nas calças. mas, será que eu ainda vou conseguir frequentar um bar que toque "i wanna be your dog"? nem precisava ser na versão stooges, se fosse na versão dos circle jerks já estaria bom demais...


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Quarta-feira, Maio 07, 2008
- cara, essa vida tá um caos, é filho matando pai, pai jogando filho da janela, travesti sendo confundido por jogador de futebol, tá uma loucvura, as pessoas não se amam, todos estão preocupados com beleza, com estética, roupa da moda e deixam o sentimento, o que é mais importante, de lado, tá foda viver no mundo de hoje...
esse é o dão, meu amigo músico erudito com visual hippie-headbanger, um de meus parceiros de copo e filósofo de plantão.
-é, pois é...
-vê só, as pessoas querem ser jovens, querem liberdade, ninguém quer responsabilidade, criar filho não é fácil, ninguém quer crescer, querem ser jovens eternamente, sem filhos, por isso andam matando os filhos...
-como é que é?
-é cara, na tentativa de voltar a ser jovem, sem responsabilidades, as pessoas matam seus filhos e fazem um cirurgia estética para compensar os anos perdidos...
-cê tá viajando. ninguém mata o próprio filho para voltar a ser jovem. mata porque é covarde, ou burro, ou os dois. mata porque atualmente a vida humana não vale mais que um peido. e esse papo de volta da juventude é hipócrita. saca só, tá vendo aquela menina ali sentada, ela tá acima do peso, mas pode ser uma pessoa bacana. você vê alguém chegando nela?
-não...
-pois é, agora olha aquela outra ali, mostrando o umbigo e com um decote que faz os seios caírem sem querer, tá vendo?
-tô...
-pois então, esse já é o quinto cara que chega pra cantar ela e ela dispensou todos, mas o assédio faz bem pro ego dela.
-tá o que é que tem?
-eu te digo o que é que tem. os caras não vão falar com a gordinha que até talvez esteja receptiva a uma noitada, ela fica ali conversando com a amiga dela e ninguém chega nela, a galera prefere chegar na princesinha magra mesmo sabendo que vão levar um fora e por que? porque eles querem o corpo magro e jovem. e é por isso que as mulheres fazem lipo e plástica, porque sabem que os homens vão ser atraídos pelo corpo e rosto jovem. no fundo, no fundo, todos são hipócritas, voce é um hipócrita. a princesinha é hipócrita, eu sou hipócrita... voce quer ter uma boa noitada, talvez com uma chance de romance? chega na gordinha. mas voce não vai fazer isso, porque voce quer pegar a princesinha que vai causar inveja em todos que estão no bar. voce fala, fala, fala, e a única coisa que eu consigo ouvir é "ah, se aquela gostosinha me desse bola...". entendeu?
-porra, cara, tem horas que a sua sinceridade é foda...
-eu sei...


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Quarta-feira, Março 26, 2008
e desde quando é preciso ser filósofo para pensar? pensar é fácil, difícil mesmo é fazer um pensamento virar verbo, palavra... e sem viajar, o que é mais difícil. fácil é falar besteira, merda como dizem por aí, difícil é fazer a besteira ter sentido. por exemplo, como dizer para alguém que a vida é fácil quando esse alguém sabe que quem manda é quem torna a vida fácil? como explicar a lei da oferta e procura quando esse alguém sabe que só ofertou, não sabendo quem direito usufruirá, ainda nem sabe o quê ou como procurar? como explicar márcia, que somente sabe que acha que sabe a lei de mercado mas ainda cobra barato pelo desfrute do tempo/corpo/espaço? márcia aprendeu cedo o significado de perda, perdeu a virgindade aos 12, a mãe aos 15 e a sanidade aos 16 quando foi estuprada. por quem? seu amigo do colégio, o vander, que a pretexto de namoro conseguiu muito mais que namoro. na verdade nem houve namoro. estuprada é forte, que tal seviciada sob falso pretexto de amor? também é forte. é melhor dizer que márcia brincava de viver desde os 8, quando descobriu a existência daquilo que vulgarmente é chamado de violência. após a quase diária surra com fivela de cinto e sendo apalpada de cima a baixo por uma mão enquanto outra mão explorava as profundezas de seu ainda ignorado conceito de sexualidade. márcia achou que amor era forte, era violento. depois domal-sucedido namoro aos 16 percebeu que deveria ganhar dinheiro para ser independente aos 16. márcia precisava viver. começou a viver por conta mas percebeu que apanharia de muitos nas ruas se não tivesse ninguém. márcia arranjou alguém, o cleidervan. márcia hoje tem 23 anos, é alcoólatra, viciada em cocaína ou adjacentes, e ainda mantém um corpo pequeno, magro, quase esquálido... trabalha sob a tutela de dervan, seu atual namorado. é que cleidervan não gosta de ser chamado pelo nome completo, a corruptela lhe parece mais máscula, viril, ameaçadora... já tinho apanhado muito pelo início do nome: clei lembra muito gay...


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Quinta-feira, Janeiro 31, 2008
-cara, tá difícil, essa estória da márcia querer o divórcio, vou ter que pagar pensão pra claudinha, eu não sei o que fazer. cara, isso nunca tinha passado pela minha cabeça de que iria acontecer comigo, parecia que tava tudo bem entre a gente, aí ela vem com esa estória de querer liberdade, não aguenta mais o casamento, e eu? ela acha que eu aguento o casamento? mas a gente tem uma filha, tem que aguentar o casamento pô. cê não acha?
-mind lost, lines crossed...
-quê? que diabo é isso? po, alex, te chamo pra tomar uma cerveja epra desabafar e você nem presta atenção no que eu digo. que raio de amigo é você?
-mind lost, lines crossed...
-porra, alex, que merda, você escutou o que eu disse? claro que não escutou, depois que você comprou essa merda de mp4 você só escuta música, só escuta o que quer. e eu aqui com um puta problemão e você nem pra me ouvir, me dar um conselho, você sempre me deu bons conselhos...
-mind lost, lines crossed...
-cara, que merda é essa? me ajuda, cara, to desesperado, o que eu devo fazer, será que eu contrato um advogado, o que você acha?
-mind lost, lines crossed...
-porra, alex, você tá começando a forçar a amizade, tira essa porra das orelhas e me escuta. eu não sei o que fazer, to com medo de não poder mais ver minha filha, o que vai ser dela sem mim? sem minha orientação como pai...
-mind lost, lines crossed...
-ah, meu, assim é foda, não dá... garçom, desce mais uma aqui, por favor... porra, a gente vem desabafar com um amigo que não presta atenção na gente, eu já to mais por baixo que cú de cobra e ainda por cima não tenho ninguém pra me dar uma mão, me ajudar nesse momento, é brincadeira...
-mind lost, lines crossed...
-chega, cara, cansei, quer saber? idota sou eu em acreditar que alguém pode me ajudar. ninguém pode me ajudar mesmo. eu vou pro hotel, já que a márcia me expulsou de casa e trocou a fechadura da porta. você podia me deixar dormir na sua casa hoje né?
-mind lost, lines crossed...
-alex, na boa, vai pra puta que pariu, outra hora eu falo contigo, toma aqui cinco reais pela cerveja e da próxima vez deixa esse troço de mp4 em casa e me escuta, preciso de um amigo agora, cara, me ajuda...
-mind lost, lines crossed...
-ah, meu largamão... falou aí, seboso... fui...
-mind lost, lines crossed...